Os Avós e sua importância na vida das crianças

                     Os avós têm um papel insubstituível e podem enriquecer a vida da criança

Ao nascer a criança ingressa no misterioso mundo de seus pais. Ao mesmo tempo, ingressa no mundo ainda mais misterioso e amplo de seus avós. Estes podem permanecer distantes ou transforma-se em meros titulares da figura familiar na vida da criança, como uma imagem no alto de um totem. Ou podem enriquecer a vida da criança – e a própria – assumindo um papel poderoso e insubstituível.
Infelizmente, alguns especialistas em estudos das famílias consideram o papel dos avós como uma coisa antiquada, inadequada e até desnecessária em uma era em que os padrões familiares são tão diferentes. Em seu livro, por exemplo, Hillary Rodham Clinton (a primeira-dama dos Estados Unidos) interpreta de modo errado um velho provérbio africano: “É preciso uma cidadezinha” – o título de seu livro – “para criar um filho”. As cidadezinhas africanas não eram como as americanas da década de 1950. Eram clãs tribais, redes familiares ampliadas, com avós, tios e fortes laços espirituais, emocionais e biológicos. Um provérbio mais adequado para a nova versão, truncada, da família nuclear seria: “É preciso toda uma cidadezinha para substituir um único avô”. De fato, em termos de natureza e envolvimento emocional, os avós são infinitamente mais preciosos para os netos do que toda uma cidade cheia de babás, educadores, creches e escolas com atividades extracurriculares. Os avós são indispensáveis!
      Uma pesquisa feita pelo psiquiatra Arthur Kornhaber revela que “os vínculos entre os avós e os netos é a segunda influência mais poderosa, só superada pela relação entre os pais e os filhos”. Mas existe uma importante diferença psicológica entre os dois. As tensões normais entre pais e filhos simplesmente não existem entre os avós e netos.
Os laços entre os avós e os netos começam na primeira visita à criança. Para os avós a experiência normalmente termina em amor à primeira vista. Os bebês ainda levam alguns anos até conseguir corresponder a esse amor. Mas gradualmente as crianças começam a perceber, sozinhas, que os pais têm pais – “os avós” que parecem ter existido desde a criação do mundo. Da mesma forma, eles eventualmente aprendem a reconhecer os tios e tias mais próximas como se eles também integrassem o grupo dos velhos em seu clã familiar.
      Os avós mais atenciosos têm uma série de papéis fundamentais na vida e no desenvolvimento de uma criança. Um deles é o de historiador oral. Os avós são naturalmente interessantes porque viveram os passados e as crianças ficam especialmente intrigadas pelas histórias sobre o que avós faziam quando eram crianças. Saber que seus pais também eram levados e faziam coisas erradas reforça na criança a idéia de que ela é igual ao pai ou a mãe. Em assuntos ligados a historia familiar os avós são, em última instância, as maiores autoridades, verdadeiros arquivos vivos. As crianças adoram explorar os guardados antigos dos avós, descobrir fotos antigas, roupas e quinquilharias e, no processo, suas próprias raízes.
Independentemente de sua educação ou experiência, os avós são mentores naturais se tiverem tempo e disposição. Quando os vínculos emocionais são suficientemente fortes, o aprendizado vira brincadeira na presença dos avós. Qualquer que seja o currículo, as crianças pequenas absorvem voluntariamente o que os avós amorosos podem lhes ensinar. Muitos anos mais tarde, as crianças maiores podem até não se lembrar quando e como aprenderam a construir objetos, assar bolos, consertar ou fazer algumas coisas da mesma forma que seus avós. Há muito tempo essas tarefas tornaram-se instintivas.
      Nas questões religiosas, cabe freqüentemente aos avós fornecer a sustentação espiritual aos netos. As crianças costumam perguntar coisas como “Onde mora Deus” ou “Que cara Ele tem?”. Independentemente da idade dos avós, as crianças sempre acreditam que eles estejam mais próximos de Deus, por isso devem saber essas coisas. Como mostra a historia, o cristianismo sobreviveu na Rússia principalmente por causa das avós – as babushkas – que mantiveram viva a chama da fé durante mais de sete décadas de comunismo.
      Com o surgimento das famílias nas quais ambos os pais trabalham, alguns avós estão assumindo papéis mais práticos, como o de pais em tempo parcial ou até em período integral de seus netos. E com o aumento do número de casos de pais divorciados ou solteiros, os avós, as tias e os tios, principalmente os solteiros, estão redescobrindo a importância dos netos, sobrinhos e sobrinhas. Como os avós, tios e tias são parte da família, mas sua natureza é agradavelmente diferente da dos pais. Em síntese, os americanos estão gradualmente aprendendo uma antiga verdade universal: a família natural é ampliada. Nesse útero amplo, todas as crianças florescem tendo, em torno de si, tios e tias e também essas misteriosas figuras chamadas avós.


Texto da série sobre bebês da Newsweek